Eu tava sonhando, falando, pedindo bem baixinho, a realização de apenas um desejo. Deixei de lado todos os meus ímpetos, me concentrei no meu anseio, meu único pedido: me leve pra perto do único que me apetece, o único que norteia meu caminho, que não se faz mais presente mas que eu posso senti-lo... É uma coisa puramente espiritual, vem de dentro, da pobre alma. Algo que contrapõe todo o ceticismo inerente a mim, confronta-me com todas as forças místicas, aquelas por entre as brumas, e me faz acreditar no sublime.
Em paz com a minha duvidosa fé (espero que não precise ser colocada à prova), volto ao meu ensejo: por favor, eu suplico, eu imploro, uma única vez quero estar perto dele, falar o que nunca pude já que mal sabia pronunciar, ouvir qualquer palavra torta que ele entoe, sentir um abraço, um colo, um carinho, qualquer afago miserável já me seria de bom grado. Quero contar toda a minha vida, toda a falta que me fez, toda sua influência involuntária que moldou meu "EU". Sentar ao lado dele, saber de toda a sua história também... Uma conversa bastante recíproca. Porém, não completamente quando o assunto fosse os seus discos... Ah, os discos de vinil. A partir daí, eu iria somente ouvir. Todo o seu gosto musical, impecável, desde os boleros até a música erudita, passando pelo blues, jazz, o delicioso country, o maravilhoso rock n' roll. Aaaah, quanta coisa! Tanta vida em lacunas que a gente poderia ter preenchido. Mas parece que eu falo sozinha, no meu quarto, ao pé da cama, implorando encarecidamente pela sua presença, meu pedido, meu desejo. Ninguém atende minhas preces. O sublime não existe. Estava apenas tentando mascarar a fé derradeira em mim para tentar encontrá-lo. Quanta tolice! Tudo acabou no momento em que ele partiu e todo esse meu anseio vai ficar perdido em algum lugar em mim, até o dia em que eu insista em tentar novamente.
Marco Aurélio, meu pai.
4 de dezembro de 2009
13 de novembro de 2009
Mãe Natureza - Abalo anárquico
Feliz é aquele que sabe expressar-se com maestria. Eis aqui:
Em meio à enchente, gente doida
Tira foto, acha bonito, acha graça
Ri-se do infortúnio, da casa alagada
Oh Deus, dai-lhes uma mordaça!
Em meio à enchente, gente doida
Tira foto, acha bonito, acha graça
Ri-se do infortúnio, da casa alagada
Oh Deus, dai-lhes uma mordaça!
Os meninos pobres, pestilentos
Jogam bola n'água imunda
Banham os pés na torrente de esgoto
Acham o caos um divertimento.
Jogam bola n'água imunda
Banham os pés na torrente de esgoto
Acham o caos um divertimento.
A gente ocupada, preocupada com a casa
Não quer que a água invada
O santo lar, terno aconchego;
Ora, a calamidade não é piada!
Não quer que a água invada
O santo lar, terno aconchego;
Ora, a calamidade não é piada!
Nos gramados e campos de futebol
Pássaros que embebem-se nas poças
Quais mais parecem vãos lagos
Cantam como quem à vida adoça.
Pássaros que embebem-se nas poças
Quais mais parecem vãos lagos
Cantam como quem à vida adoça.
E a culpa de tudo isso
Não precisa repetir, é só nossa.
A Mãe Natureza bem que tenta instaurar-se
Mas a anarquia se apossa!
Não precisa repetir, é só nossa.
A Mãe Natureza bem que tenta instaurar-se
Mas a anarquia se apossa!
15 de outubro de 2009
Tudo ASSAZ
Tem gente que fede ao meu lado. Eu mal posso olhar e me sobe a repulsa pelas tripas; que vontade de vomitar! Matem-se, vermes!
6 de outubro de 2009
Folk
E quando o sol se põe por trás das montanhas, eu sei que lá há vida! Sol, por favor, ilumine o povo místico que vive do outro lado.
18 de agosto de 2009
Passou do meu lado
Daquele jeito descarado
Foi bom ter me ignorado
Seu biltre, safado!
Meu pulsar era acelerado
Era pena não estar armada
Pra te matar, desgraçado.
Parecia um cão abandonado
Isso me foi de bom grado.
Quero que morra desamparado,
Em praça pública açoitado ,
Às traças atirado.
Ainda és pedra no meu sapato
Mas é parte do meu passado
Condenado, esquecido, enterrado!
Daquele jeito descarado
Foi bom ter me ignorado
Seu biltre, safado!
Meu pulsar era acelerado
Era pena não estar armada
Pra te matar, desgraçado.
Parecia um cão abandonado
Isso me foi de bom grado.
Quero que morra desamparado,
Em praça pública açoitado ,
Às traças atirado.
Ainda és pedra no meu sapato
Mas é parte do meu passado
Condenado, esquecido, enterrado!
15 de agosto de 2009

40 anos de... Woodstock! O maior festival de música do mundo. Reuniu mais de 700 mil pessoas numa fazenda no estado de Nova York. Muito mais que um lendário evento musical, um grito de liberdade, uma celebração ao Rock N' Roll, um salto cego no abismo, um pé na loucura e o outro na libertinagem, o impulso das almas enclausuradas. E os amantes da contracultura... só o deleito.
O coro alarmante pedindo bis de "Piece of my heart", Hendrix delirante em seus solos, Santana e sua "Soul Sacrifice", Who destilando energia, delírio, delírio, DELÍRIO. Ácido lisérgico, pra quê?
E hoje... todo esse "movimento", toda essa energia, só em documentário mesmo. Século XXI só imprime cicatrizes nos ouvidos mais seletos. Mas uma pontinha de Woodstock ainda pode ser assimilada, é só sentir.
7 de agosto de 2009
21 de julho de 2009
Sonhos de alface
Uma vez, por volta de meus 4 ou 5 anos, pensei ter encontrado a solução para o único problema do planeta: a fome. Sim, o único, já que no esplendor da minha infância, os únicos problemas que poderiam assolar o mundo eram a fome e o frio. Nunca passaria pela minha cabeça desigualdade social (a raiz dos males), crises econômicas, violência,... Enfim, voltando à minha master solução, estava folhando uma revista de recortes para fazer aqueles trabalhinhos do jardim de infância e eis que me deparo com a foto de uma vasta plantação de alface que ocupava a página inteira. Folhas verdinhas, limpinhas, "brilhosas"! E mais adiante, um agricultor, bem aprumado, cuidava com admirável zelo de cada pezinho, para que todos chegassem saborosos à nossa mesa. Vendo aquilo, não me restava mais nada senão pensar: "Aqui está! Basta que eu arranque esta folha e dê para os pobres! Cada um come um desses pés de alface e fica satisfeito!" Fitei durante horas a gravura, a única capaz de salvar o mundo... Mas será que tinha gosto de alface mesmo? Olhei para os lados, a fim de que ninguém estivesse me olhando, e dei uma singela lambida na folha. Realmente, o que eu temia, de fato, aconteceu. Não tinha gosto algum! Não satisfeita, arranquei um pedaço do papel e coloquei-o na mochila. Estava disposta a experimentá-lo quando chegasse em casa no fim da tarde. Uma lambida é apenas uma lambida, ora. Comer é o que importava. E passei a tarde inteira quieta, para que ninguém descobrisse meu segredo. Só precisava de algumas várias fotos de comida e, shazam: fim da fome!
Chegando em casa, fui direto para o meu quarto. Abri a mochila e puxei a foto com o pé de alface. Comi. Pobre de mim... Nem preciso dizer que naquele exato momento meu mundo caiu e meu miserável sonho de criança desfez-se como um papel higiênico jogado no vaso. Nem tinha gosto, aquela miséria!
Ai de mim novamente!
Chegando em casa, fui direto para o meu quarto. Abri a mochila e puxei a foto com o pé de alface. Comi. Pobre de mim... Nem preciso dizer que naquele exato momento meu mundo caiu e meu miserável sonho de criança desfez-se como um papel higiênico jogado no vaso. Nem tinha gosto, aquela miséria!
Ai de mim novamente!
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