3 de junho de 2010

A prataria de um ex-casal

-Tudo bem, aceito o divórcio... mas quem vai polir a prataria?
-Ora, quem se importa com aquela "quinquilh"aria?
-Eu, e muito!
-E quem se importa com o que você se importa?
-É por isso que eu estou me separando de você, Carlos Alberto! Não presta, não vale nada, um tremendo canalha! Nunca se importou, nunca deu bola pra nada, nunca fez nad...
-Tudo bem, tudo bem, já chega, Maria Cláudia. Em quem você está pensando?
-Pra quê?
-PRA POLIR A PRATARIA!
-E quem está pensando naquele entulho? Agora eu estou mais interessada em mim, já que ninguém dá bola para as coisas que EU prezo.
-Então vou doar aquilo pra um antiquário!
-Não!
-Você acabou de dizer que não dá bola pr'aquilo!
-Mas foi minha vó quem deu no dia do nosso casamento...
-Ok, ok. Faz assim então, Maria Cláudia: você chama quem você quiser pra polir a porcaria da prataria e manda a nota pro meu escritório que eu pago tudo! TUDO! Só pra me ver livre de você, mulher infernal!
-E você não tá nenhum pouco interessado em saber quem eu vou chamar pra fazer o serviço, Carlos Alberto?
-Não, Maria Cláudia, não estou! Agora faça-me o favor, já estou atrasado.
-Grosso!
-Histérica!

E assim é a saga da separação. O pior de tudo é que o Carlos Alberto não sabe viver sem a Maria Cláudia, e ela morre de amores por ele... Coisas de ex- casal, quem vai entender?

31 de maio de 2010

Estado

Molestaram a Monalisa no Luvre, EM PLENA LUZ DO DIA, jogaram água sanitária no Guernica e ainda comeram os pães gigantes de Salvador Dalí!!! E de quem é a culpa disso tudo? Da China!

30 de maio de 2010

Mãe Dináh, set us FREE!!!

25 de abril de 2010

Míngua

A verdade é que agora eu to (re)colorindo o meu cenário. Alguns dias eu pinto de cinza, preto, marrom, outros eu prefiro deixar amarelo, laranja e roxo. Depende da falta que tu me faz... Eu ainda to apagando aquele rascunho velho que tu deixou impresso no meu desenho e que até hoje eu não entendo se era abstrato ou impressionista! O fato é que deixou um borrão e eu to tentando fazer desaparecer pra poder continuar a minha obra, em paz.

1 de abril de 2010

Rendida

Escuta, de toda a minha essência:

Desculpa se eu sou assim
Fácil, à toa, tão lasciva, quase vulgar
Nem te concedo a deixa da conquista
Mas não sou eu, é a puta dentro de mim.

Sim, uma meretriz gritante
Uma biscate palpável à qualquer gesto
Uma prostituta barata e banal
E eu não omito, manifesto!

Porque sou vítima dela,
Cárcere de tal ser despudorado
Não há santidade, apenas instinto
Atiçar erotismo alheio é o meu agrado.

Não tenho culpa se na vida passada
Nasci feito desfrutável!
Se me quer, aceita a puta junto
Que ela se tornará amável.

Esse é pro Omar. Nem vou dizer que ele é "sem pinto" senão ele me mata!

14 de março de 2010

Darling, darling...

Darlin' you know I love you - B.B. King

Darlin', darlin' you know I love you,
I love you, for myself
But you're gone, gone and left me for someone else

I think of you, think of you every morning
I dream of you, every night, and with love,
love to be with you always

When night began to fall,
I cry, cry alone
And I wish, maybe I can hold you in my arms tonight

Oh, darlin', darlin' you know I love you,
I love you, for myself
But you're gone, gone and left me for someone else

8 de março de 2010

Mary Jane's last breathe

So happy, so good to be true. Poor Mary Jane.
Thought was in love with a Don Juan, but it was all a ilusion.
He made her believe, he said "my love is true" and now it's over.
She made plans, she had dreams but he left her all alone...
Now she's making her way, waiting for better days.
So happy, so good to be true. Poor Mary Jane.

24 de fevereiro de 2010

Precaução (in)conveniente

Em um lugar qualquer, no dia tal:
-Ei amigo, o que bebes?
-Café.
-Dá-me um gole?
-Não!
No dia seguinte ao dia tal, em um lugar qualquer:
-Ei amigo, o que bebes?
-Café.
-Dá-me um gole?
-Bebe!
-Hahahaha, obrigado! Ei amigo, por que mudou de ideia hoje?
-Porque botei veneno, filho da puta!

"Carcará"

Presa, sem poder olhar pro lado
Para isso é preciso se esquivar
E com quem me deparo, oh Ovídio,
O menino com a camiseta do "Carcará"

Tão jovem, tão frágil, tão sutil e galante
(Me permito mais uma olhada de soslaio)
Tão atraente, por mim desejado
De tanto olhar e cobiçar quase caio -em desespero.

Não posso olhar, almejar,
apenas admirar
Vou esquecer o menino do Carcará
Fingir que nem ligo, desdenhar.

...mas quem desdenha, aah, com certeza quer comprar.

4 de dezembro de 2009

Eu tava sonhando, falando, pedindo bem baixinho, a realização de apenas um desejo. Deixei de lado todos os meus ímpetos, me concentrei no meu anseio, meu único pedido: me leve pra perto do único que me apetece, o único que norteia meu caminho, que não se faz mais presente mas que eu posso senti-lo... É uma coisa puramente espiritual, vem de dentro, da pobre alma. Algo que contrapõe todo o ceticismo inerente a mim, confronta-me com todas as forças místicas, aquelas por entre as brumas, e me faz acreditar no sublime.
Em paz com a minha duvidosa fé (espero que não precise ser colocada à prova), volto ao meu ensejo: por favor, eu suplico, eu imploro, uma única vez quero estar perto dele, falar o que nunca pude já que mal sabia pronunciar, ouvir qualquer palavra torta que ele entoe, sentir um abraço, um colo, um carinho, qualquer afago miserável já me seria de bom grado. Quero contar toda a minha vida, toda a falta que me fez, toda sua influência involuntária que moldou meu "EU". Sentar ao lado dele, saber de toda a sua história também... Uma conversa bastante recíproca. Porém, não completamente quando o assunto fosse os seus discos... Ah, os discos de vinil. A partir daí, eu iria somente ouvir. Todo o seu gosto musical, impecável, desde os boleros até a música erudita, passando pelo blues, jazz, o delicioso country, o maravilhoso rock n' roll. Aaaah, quanta coisa! Tanta vida em lacunas que a gente poderia ter preenchido. Mas parece que eu falo sozinha, no meu quarto, ao pé da cama, implorando encarecidamente pela sua presença, meu pedido, meu desejo. Ninguém atende minhas preces. O sublime não existe. Estava apenas tentando mascarar a fé derradeira em mim para tentar encontrá-lo. Quanta tolice! Tudo acabou no momento em que ele partiu e todo esse meu anseio vai ficar perdido em algum lugar em mim, até o dia em que eu insista em tentar novamente.

Marco Aurélio, meu pai.