21 de dezembro de 2015

Te esquecer

Não sei se eu consigo
Na verdade, nem ligo
Vou cuidar do meu umbigo
Fica você à mercê do perigo
Uma hora vai ser rendido
Porque a vida
Ela é um touro bandido.

-Se rende pra mim.

25 de abril de 2013

Manga Larga

Baby, faz tanto tempo
que eu não paro pra te olhar
Esqueci completamente de te notar
Teu jeito de andar, comer, falar
Tudo que um dia me fez suspirar

Hoje, depois do tempo passar
Nem acredito que um dia pude te amar
Não passas de um escroto secular
Mais um encosto a me enfadar.

16 de outubro de 2012

Essência

Quis me converter...

Tudo bem você não gostar dos meus amigos
Em reciprocidade, os teus, pra mim
Não variam de inimigos
Mas mexeu nos meus discos
Isso eu não admito!

Não adianta tentar me mudar
Savage, vou rebelar
Esse ego estafante de Narciso
Jamais vai me intimidar

De ojerizas nasci
Em ostracismo vivi
Do fututo, há uma espera:
-Nosso presente obsoleto
Nada me reserva-
Baby, vou partir pra Nova Era.

Te espero, sem egos, maldades ou vaidades.

16 de abril de 2012

Bruto

Palavra cortada
Em boca cerrada
Atinge feito navalha

Lágrimas vertidas
Mancham todo o tapete.

Se pocurar,
Por entre os cacos,
já parti, em choro seco.

2 de dezembro de 2011

Apatia

Demorou até de fato entender
Essa distância deveras blasé
Não sou eu, muito menos você
Mas apenas um insensível mal-querer.

Sem retratos nem sentimentos
Ainda é tempo para esquecer
Amar é viver
Pena a gente não saber.

20 de outubro de 2011


Hamlet, eu me emocionei nessa parte...

17 de outubro de 2011

Serenidade

E o velho corpo lasso resolveu, por fim, entregar-se. Tamanha era sua melancolia... Hoje repousa em paz, no seio da eternidade.

"Um amor assim tão delicado..."

29 de maio de 2011

Coração

Baby, se eu pedir,
Cê olha comigo o sol se pôr no Guaíba
Promete que me encontra na outra vida
Me beija de língua se disser que te amo
Protege meu cabelo do sereno e do minuano
Acende um baseado e fuma ao meu lado
Discute comigo a batalha em Stalingrado
Me leva de garupa na tua crazy motorela
Joga no lixo aquela camisa xadrez flanela
E faz serenatas mil embaixo da minha janela?

[...]

Baby, se eu pedir, só quero que você fique.

24 de abril de 2011

Cara manêro

Um cara legal, um pouco excêntrico, beirando os 50, mandou uma carta endereçada "amor platônico", falando de suas inclinações para comigo. Me descreveu como a última gota de orvalho que evapora com a alva manhã da 'flor do lácio, inculta e bela'. Pediu desculpas pela ousadia, e me convidou para ir até sua casa ler uns sonetos de Bocage, umas peças de Moliére e, quem sabe, alguns tratados filosóficos; disse que só ouvia música erudita, mas ao saber do meu rock way of life, adiantou-se em baixar um 'Greatest Hits' do Kiss e um 'The very best of The Doors' para não ficar tão à parte do assunto e, inclusive, tinha comprado um DVD do Bon Jovi, pois achava que seria propício para os momentos românticos; comentou que não usava drogas, mas uma vez havia fumado Derby, cheirado um saco de farinha e engolido tic-tac pra parecer êxtase, e eu não precisava me preocupar, pois considerava-se um drogado por tabela, já que bebia vinho de vez em quando e achava 'um barato' a carteira de Lucky Strike; sonhava em desposar-me e já imaginava nossos filhos correndo pela casa; ao final, escreveu um trecho do Cazuza, meio errado 'nós dois na cama, matando a sede de saliva/todo amor é um veneno antimonotonia' e assinou 'do sempre seu, admirador'.

Hay que já não posso mais... Velho safado ¬¬

1 de abril de 2011

Amor de orelhão

A Lena nunca entendeu muito bem loucuras de amor... Até cometerem uma CONTRA ela.
Ela, completamente apaixonada por ele, quatro pneus arriados, era um amor que chegava a dilacerar. Ele correspondia. Ligava pra ela todos os dias, do orelhão, a cobrar. Mas um dia foi diferente: ele ligou pra Lena, uma voz pândega, e disse que não poderia mais vê-la. Desligou. Aí o coração da pobre moça não resistiu: sucumbiu em prantos. No dia seguinte, ele ligou, a cobrar. Assim que terminou a mensagem automática da telefonista, um curto silêncio se estendeu até ele encerrar a chamada. 'Ele ainda me ama', iludiu-se a ingênua apaixonada. Naquele mesmo dia, ele ligou várias e várias vezes; esperava alguns segundos e desligava. E assim sucedeu-se durante um longo tempo, o que só servia pra aumentar a angústia da Lena, intrigá-la e deixá-la mais enamorada. Ela ficava cada vez mais envolvida por aquelas ligações de curto silêncio, tão misteriosas quanto o sumiço dele. Mas uma vez foi diferente: logo depois da mensagem automática, a Lena ouviu ele dizer '(...)espera, espera, eu te amo', soluçando em prantos. Desligou. Ela chorou. Sempre soube... Mais uma ligação. Dessa vez ele estava cantando '(...)Do what you do, down on me'. Ah, era o homem da vida dela! E estava ciente que sua sina era submeter-se a esse amor insano se quisesse levar esse caso adiante. (...)
Depois de tanto tempo, ele continua ligando pra Lena a cobrar, sempre dizendo frases românticas, falando em paixão platônica e cantando em prantos. Ela acha isso tudo puramente romântico, zela com fervor por essa paixão que beira a loucura, o paradoxal, o incoveniente. Pobre entusiasta, enquanto se distrai com tal ilusão, nem imagina que as inclinações dele são todas para ela, a telefonista.

Ô Lena, tão apaixonada, não passas de mera coadjuvante num triângulo amoroso ao pé do orelhão.